O meu familiar anda às voltas e perde-se. Como lidar com a deambulação?
A minha sogra anda constantemente pela casa, de um lado para o outro, e já duas vezes saiu sozinha e não sabia voltar para casa. Porque faz isto e como posso ajudá-la sem a prender?
Este comportamento chama-se deambulação e afeta até 6 em cada 10 pessoas com demência em alguma fase da doença. Não é um passeio sem sentido — tem quase sempre uma razão por trás, mesmo que a pessoa não a consiga explicar. Perceber a causa é o primeiro passo para reduzir o risco sem limitar a liberdade da pessoa mais do que o necessário.
Porque acontece
A deambulação pode ter várias origens: tédio e excesso de energia por falta de atividade, procura de algo ou alguém familiar (por exemplo, "ir trabalhar" ou "buscar os filhos"), desconforto físico como dor, fome ou necessidade de ir à casa de banho, ansiedade ou desorientação no espaço e no tempo, ou simplesmente o hábito de andar que sempre teve. Em fases mais avançadas, a pessoa pode também perder a noção de onde está mesmo dentro da própria casa.
Como reduzir o risco
- Mantenha uma rotina de atividade física diária. Um passeio acompanhado de manhã reduz a necessidade de andar sem destino mais tarde.
- Identifique padrões. Se a pessoa deambula sempre à mesma hora, antecipe-se com uma atividade nesse momento.
- Não corrija de frente o motivo que ela dá. Se diz que vai "buscar os filhos", valide o sentimento ("eles estão bem, vamos esperar aqui por eles") em vez de discutir.
- Use pulseira ou cartão de identificação com o seu contacto, para o caso de sair sem supervisão.
- Avise vizinhos e comércio local da zona sobre a situação — muitas vezes são eles que ajudam a trazer a pessoa de volta em segurança.
"A minha sogra andava sempre a meio da tarde. Comecei a propor uma caminhada curta ao bairro nessa hora, com mim ao lado, e o resto do dia ficou muito mais calmo."
O que NÃO fazer
- Não impeça fisicamente de forma brusca — pode gerar agitação ou agressividade.
- Não deixe a pessoa sozinha em casa se já houve episódios de sair sem aviso.
- Não ignore o comportamento como "mania" — é uma necessidade real a ser respondida com segurança.
Quando procurar ajuda profissional
Se a deambulação se tornar muito frequente, noturna, ou se já houve episódios de a pessoa se perder fora de casa, fale com o médico assistente para avaliar a situação global. Vale também a pena complementar com medidas de segurança em casa (fechaduras, sensores) — esse lado mais prático está detalhado noutro artigo do site sobre como evitar saídas perigosas.