Como evitar que o meu familiar saia de casa sozinho e se ponha em perigo?
O meu sogro já saiu de casa duas vezes sem ninguém dar por isso, uma delas de madrugada. Tenho pavor que se perca ou se magoe na rua. Que medidas posso tomar para evitar que isto volte a acontecer?
Saber que um familiar pode sair de casa sem aviso e sem capacidade de se orientar é um dos medos mais profundos de quem cuida de alguém com demência. A vontade de "ir embora" ou de sair de casa é um comportamento comum nesta fase, mas o foco aqui não é impedir esse impulso — é tornar a casa fisicamente mais difícil de abandonar sem ser notado, e preparar-se para o caso de acontecer mesmo assim.
Porque é importante agir antes
Uma pessoa com demência que sai de casa sozinha pode não saber o caminho de volta, não reconhecer perigos como trânsito ou condições meteorológicas, e não conseguir pedir ajuda de forma eficaz. As primeiras horas são críticas para uma busca bem-sucedida, por isso a prevenção e a preparação fazem toda a diferença.
Estratégias práticas
- Instale alarmes ou sensores de porta: existem dispositivos simples e económicos que emitem um som sempre que uma porta exterior é aberta, alertando o cuidador mesmo durante a noite.
- Use fechaduras adicionais fora do alcance visual habitual: um fecho colocado mais alto ou mais baixo do que o habitual pode ser suficiente para que a pessoa não o encontre, sem impedir a saída em caso de emergência (como um incêndio).
- Coloque uma pulseira de identificação: com o nome, um contacto de emergência e a indicação "tenho demência", para que qualquer pessoa que a encontre saiba como ajudar.
- Considere um localizador GPS: existem relógios e dispositivos discretos que permitem saber a localização em tempo real através de uma aplicação no telemóvel.
- Avise os vizinhos e o comércio local: contar à vizinhança e à mercearia ou café mais próximos que o seu familiar tem demência cria uma rede informal de vigilância muito eficaz.
- Tenha uma fotografia recente acessível: guarde no telemóvel uma foto atual, útil para mostrar à polícia ou a vizinhos caso seja necessário procurar a pessoa rapidamente.
"O alarme de porta foi a melhor compra que fizemos. Uma noite tocou às três da manhã e consegui chegar à porta antes de ele sair para a rua, em pijama, no inverno."
O que NÃO fazer
- Não tranque a pessoa à chave dentro de casa sem alarme nem vigilância — é perigoso em caso de emergência e pode ser legalmente problemático.
- Não assuma que "desta vez não vai acontecer" depois de uma primeira tentativa de saída — costuma repetir-se.
- Não adie a colocação de identificação por achar que "ainda não é preciso" — é mais eficaz ter a prevenção pronta antes do primeiro episódio grave.
Quando procurar ajuda profissional
Se as tentativas de sair de casa forem frequentes ou ocorrerem sobretudo à noite, fale com o médico assistente — pode estar relacionado com agitação ao anoitecer ou alterações do sono que têm abordagens específicas. Em caso de desaparecimento, contacte imediatamente a PSP ou GNR através do 112: nestas situações, considera-se sempre uma emergência, e quanto mais cedo a busca começar, maior a probabilidade de um desfecho seguro.