A pessoa segue-me por toda a casa. Como gerir?
O meu marido segue-me para todo o lado, até à casa de banho. Mal saio do pé dele, fica aflito e vem atrás. Adoro-o, mas não tenho um minuto para mim e começo a sentir-me sufocada. Como lido com isto?
Sentir-se sufocada não a torna má cuidadora: torna-a humana. Precisar de espaço é absolutamente legítimo. E entender porque ele a segue ajuda a aliviar a situação para os dois.
Porque acontece
Este comportamento, por vezes chamado de "sombra", nasce quase sempre de insegurança e medo de ficar só. A pessoa pode não saber onde está, não reconhecer o espaço, ou esquecer-se de que você volta já. Você é o seu ponto de referência e segurança, e perdê-la de vista gera angústia.
Estratégias práticas
- Antes de sair de uma divisão, avise com calma: "vou só à cozinha e já venho".
- Deixe a pessoa ocupada com uma tarefa simples ou objeto reconfortante.
- Use música, rádio ou televisão para dar sensação de companhia.
- Crie pequenas pausas suas quando ela estiver mais tranquila ou acompanhada por outra pessoa.
- Mantenha rotinas previsíveis, que reduzem a ansiedade.
O que NÃO fazer
- Não a repreenda nem mostre irritação: aumenta a aflição e a procura.
- Não saia de casa às escondidas de forma brusca, que gera pânico.
- Não tente "resolver" só com raciocínio: o medo não é lógico.
Quando procurar ajuda profissional
Se a ansiedade for intensa e constante, fale com o médico assistente para avaliar causas e apoio. Procure também aliviar a sua sobrecarga: a Segurança Social (300 502 502) informa sobre apoio domiciliário e centro de dia, e a Alzheimer Portugal tem grupos de apoio a cuidadores.
"Comecei a dizer-lhe sempre para onde ia, mesmo que fosse à casa de banho. Parece simples, mas só esse aviso o deixou muito mais sossegado." — Cuidador anónimo