A pessoa sai à rua e não sabe voltar. Que medidas tomar?
O meu marido já saiu duas vezes sozinho e encontrámo-lo desorientado a alguns quarteirões de casa. Fico aterrorizada só de pensar que se pode perder ou ser atropelado. O que posso fazer para o proteger sem o prender em casa?
O que descreve é assustador e é natural sentir esse terror. Saber que a pessoa que amamos pode sair e desaparecer é uma das angústias mais pesadas de quem cuida. Há muito que pode fazer para reduzir este risco.
Porque acontece
Na fase moderada, é comum a pessoa querer "ir para casa", procurar alguém do passado ou seguir uma rotina antiga (ir ao trabalho, buscar filhos). Sai com um objetivo que faz sentido para ela, mas depois desorienta-se e não sabe regressar.
Estratégias práticas
- Coloque um localizador GPS (relógio, pulseira ou no calçado) e um cartão no bolso com nome e contacto.
- Instale fechaduras ou campainhas de aviso em portas e portões, colocadas fora do campo de visão habitual.
- Avise vizinhos, comércio local e porteiro para o contactarem se o virem sozinho.
- Tenha uma foto recente e a descrição da roupa do dia para dar às autoridades se necessário.
- Ofereça passeios acompanhados regulares para satisfazer a necessidade de andar.
O que NÃO fazer
- Não repreenda nem discuta quando ele insiste em sair; distraia e redirecione com calma.
- Não trave a totalidade do movimento; a inatividade aumenta a agitação.
Quando procurar ajuda profissional
Se ela desaparecer, ligue de imediato para o 112. Fale com o médico assistente e com a Alzheimer Portugal sobre estratégias e localizadores adaptados.
"Pus um GPS no relógio dele e avisei a mercearia da esquina. Dormi melhor sabendo que, se saísse, eu saberia onde estava." — Cuidador anónimo