Como adaptar a casa para prevenir quedas?
O meu pai já caiu duas vezes este ano dentro de casa. Tenho medo que da próxima vez se magoe a sério. Como posso tornar a casa mais segura sem a transformar num hospital?
O medo de uma queda é uma das maiores fontes de ansiedade para quem cuida de uma pessoa com demência — e com razão: as quedas são uma das principais causas de hospitalização e perda de autonomia nesta fase da vida. A boa notícia é que muitas quedas são evitáveis com pequenas mudanças no espaço doméstico, sem necessidade de grandes obras.
Porque é importante
A demência afeta não só a memória, mas também a perceção espacial, o equilíbrio e a capacidade de reconhecer perigos. Uma pessoa pode já não perceber que um tapete dobrado é um obstáculo, ou que um chão molhado escorrega. Juntando-se a isto a hipotensão ortostática (a tensão arterial desce quando a pessoa se levanta depressa, causando tonturas), o risco de queda multiplica-se. Prevenir não é sobrecarregar a casa de avisos — é remover os perigos antes que se tornem um problema.
Estratégias práticas
- Remova tapetes soltos: são uma das causas mais comuns de quedas em casa. Se não puder retirá-los, fixe-os bem ao chão com fita de dupla face.
- Ilumine bem os espaços: coloque luzes de presença nos corredores, na casa de banho e no quarto, especialmente importantes para idas à casa de banho durante a noite.
- Instale barras de apoio: junto à sanita, no duche e perto da cama, para que a pessoa tenha sempre algo firme a que se agarrar.
- Use fita antiderrapante nas escadas: e, se possível, instale corrimãos dos dois lados.
- Escolha calçado fechado com sola antiderrapante: nunca pantufas abertas ou meias soltas, que escorregam facilmente.
- Ensine a regra dos "dois minutos": antes de se levantar da cama ou de uma cadeira, a pessoa deve ficar sentada um a dois minutos para evitar tonturas por hipotensão ortostática.
- Liberte os caminhos de circulação: afaste fios elétricos, móveis baixos e objetos do chão das zonas de passagem mais usadas.
"Tirei todos os tapetes da sala no mesmo dia em que o meu marido caiu pela segunda vez. Parecia um exagero, mas nunca mais voltou a cair em casa."
O que NÃO fazer
- Não deixe cabos elétricos ou extensões espalhados pelo chão, mesmo que pareçam "fora do caminho".
- Não confie apenas na vigilância constante — mesmo os cuidadores mais atentos não conseguem evitar todas as quedas só por estarem por perto.
- Não ignore quedas "sem gravidade" — cada queda, mesmo sem lesão aparente, é um sinal de que algo no ambiente ou na saúde da pessoa precisa de atenção.
Quando procurar ajuda profissional
Se as quedas forem frequentes, ou se notar que o equilíbrio está a piorar rapidamente, fale com o médico assistente. Pode valer a pena rever a medicação (alguns fármacos aumentam o risco de tonturas) e pedir uma avaliação por um fisioterapeuta, que pode sugerir exercícios de equilíbrio e adaptações específicas para a casa. Em caso de queda com pancada na cabeça, dor intensa ou incapacidade de se levantar, procure assistência médica de imediato.