Devo deixar de trabalhar para cuidar?
A minha mãe começou há pouco com sinais de demência e já preciso de acompanhá-la a consultas e estar atenta. Ando a pensar se devo despedir-me para cuidar dela em condições, mas tenho medo das consequências. O que devo pesar nesta decisão?
Considerar largar tudo para cuidar da sua mãe mostra uma enorme dedicação, mas é uma decisão que merece ser pensada com calma e informação, para não se prejudicar a longo prazo. Ainda bem que está a refletir antes de agir.
Porque acontece
Numa fase inicial, o instinto é estar totalmente presente. Contudo, deixar o trabalho tem impacto financeiro, na reforma futura e no seu próprio equilíbrio, e a demência é uma jornada longa. Nem sempre é preciso escolher entre trabalho e cuidar.
Estratégias práticas
- Antes de decidir, explore alternativas: apoio domiciliário, centro de dia, ajuda da família.
- Informe-se sobre o Estatuto do Cuidador Informal e apoios da Segurança Social.
- Verifique direitos laborais: faltas para assistência à família, flexibilidade, teletrabalho.
- Faça as contas ao impacto financeiro e na reforma antes de qualquer decisão irreversível.
- Distribua tarefas entre familiares, para não ficar tudo consigo.
O que NÃO fazer
- Não se despeça de forma precipitada, ainda no primeiro impacto do diagnóstico.
- Não assuma o cuidado sozinha sem antes esgotar os apoios disponíveis.
Quando procurar ajuda profissional
Contacte a Segurança Social (300 502 502) sobre o Estatuto do Cuidador Informal e apoios possíveis. O médico assistente ajuda a antecipar a evolução, e um grupo de apoio pode dar perspetiva a esta decisão.
"Ia despedir-me no dia seguinte ao diagnóstico. Uma assistente social sentou-me e mostrou-me apoios que eu nem sabia que existiam. Consegui conciliar mais dois anos, e agradeço-o hoje." — Cuidador anónimo