Como conciliar o trabalho com o cuidado a um familiar com demência?

Entre o emprego, as consultas médicas e os imprevistos lá em casa, sinto que estou sempre a falhar nalgum lado. Como é que outras pessoas conseguem gerir isto?

Tentar dar conta do trabalho e do cuidado a um familiar com demência ao mesmo tempo é, muitas vezes, como ter dois empregos a tempo inteiro. Se sente que está sempre a apagar fogos, não é incompetência sua, é o resultado de uma situação genuinamente difícil de gerir. Existem direitos e estratégias concretas que podem aliviar essa pressão.

Os seus direitos no trabalho

O Estatuto do Cuidador Informal, criado pela Lei n.º 100/2019, prevê o direito a um horário de trabalho flexível para quem cuida de um familiar em situação de dependência. Prevê também o direito a faltar ou ajustar o horário para acompanhar a pessoa cuidada a consultas e tratamentos. Estes direitos existem precisamente para situações como a sua, e vale a pena falar com os recursos humanos da sua empresa para perceber como aplicá-los no seu caso concreto.

O que pode fazer já esta semana

"Achava que tinha de escolher entre o emprego e a minha mãe. Quando finalmente falei com a minha chefe sobre o estatuto de cuidador informal, consegui um horário diferente três dias por semana. Não resolveu tudo, mas tirou-me um peso enorme."

Onde pedir ajuda em Portugal

Para perceber como ativar o horário flexível e os outros direitos previstos no Estatuto do Cuidador Informal, o processo de reconhecimento é feito junto da Segurança Social, com apoio dos serviços sociais do centro de saúde. A Linha SNS 24 (808 24 24 24) pode também esclarecer dúvidas sobre os apoios disponíveis. Não tem de resolver isto sozinho nem de escolher entre o seu sustento e o seu familiar, há caminhos para conciliar os dois.

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