O meu familiar fala com pessoas que não existem. É normal?

A minha mãe às vezes fala com o meu pai, que já morreu há anos, como se ele estivesse na sala. Outras vezes diz que há gente estranha em casa a roubar coisas. Isto é normal? Devo corrigi-la?

Sim, é relativamente comum. Alucinações (ver ou ouvir coisas que não estão lá) e delírios (crenças fixas e erradas, como achar que alguém está a roubar) ocorrem em boa parte das pessoas com demência, sobretudo nas fases moderada a avançada. Não significa que "esteja a enlouquecer" — é um sintoma neurológico da doença, tal como a perda de memória.

Porque acontece

Á medida que a demência avança, o cérebro processa mal a informação sensorial e tem dificuldade em distinguir memórias antigas, sonhos e perceções do presente. Ver o marido falecido pode ser, na prática, uma memória a sobrepor-se ao presente. Os delírios de roubo são também frequentes porque a pessoa esconde objetos por insegurança, esquece-se onde os pôs e a explicação mais simples que o cérebro encontra é "alguém levou".

Como responder

"Aprendi a não discutir. Quando a minha mãe diz que o meu pai está à espera dela lá fora, digo que ele já foi e que ela está em segurança comigo. Acalma-a sempre."

O que NÃO fazer

Quando procurar ajuda profissional

Fale com o médico assistente se as alucinações ou delírios forem muito frequentes, causarem grande angústia, levarem a comportamentos agressivos ou perigosos, ou surgirem de forma súbita (o que pode indicar uma infeção urinária ou outra causa médica reversível, não a progressão da demência). O médico pode avaliar se é necessário ajuste de medicação — nunca decida isso sozinho.

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