Como alimentar alguém na fase avançada da demência?

O meu pai está numa fase muito avançada e quase já não abre a boca para comer. Sinto que cada refeição é uma luta e já não sei se estou a ajudá-lo ou só a stressá-lo ainda mais.

Na fase avançada da demência, alimentar-se deixa de ser uma tarefa simples e torna-se um momento que exige paciência redobrada, observação atenta e, muitas vezes, aceitar que o objetivo muda: de "garantir as calorias todas" para "garantir conforto e dignidade".

Porque a alimentação se torna mais difícil

Nesta fase é comum haver maior dificuldade em reconhecer a comida, em coordenar os movimentos de mastigação e deglutição, e até em manter-se acordado ou atento durante a refeição. A disfagia é frequente e o risco de engasgamento aumenta. É também normal que o apetite e as necessidades calóricas diminuam naturalmente — o corpo está, ele próprio, a passar por uma fase diferente.

Estratégias práticas

"Numa certa altura percebi que insistir para o meu pai comer mais um pouco já não era cuidado, era stress para os dois. Aprendi a ler os sinais dele e a parar quando ele claramente já não queria mais."

O que NÃO fazer

Quando procurar ajuda profissional

Esta é também a fase em que vale a pena ter uma conversa aberta e antecipada com a equipa médica sobre os objetivos de cuidado — incluindo decisões sensíveis como o uso (ou não) de sondas de alimentação, que nem sempre trazem benefício ou conforto acrescido nesta fase da doença. Um terapeuta da fala pode reavaliar regularmente a segurança da deglutição, e equipas de cuidados paliativos ou da RNCCI podem dar apoio valioso tanto à pessoa como à família nestas decisões.

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