Como cuidar dos dentes e próteses de quem tem demência?
A minha mãe usa uma prótese e tem-se recusado a deixar-me limpar-lhe a boca. Tenho medo que apareçam feridas ou infeções, mas não sei como fazer sem que ela se zangue. Como hei de gerir isto?
É uma das tarefas mais ignoradas e, ao mesmo tempo, mais importantes. Sentir-se entre o medo da infeção e a recusa dela é desgastante — e há formas de tornar este momento menos conflituoso para as duas.
Porque acontece
Com a demência, a pessoa pode esquecer-se de escovar os dentes, não compreender o que lhe pedem ou sentir a higiene da boca como invasiva. Mas a boca descuidada provoca dor, feridas, infeções e dificuldade em comer — que muitas vezes se manifestam como recusa alimentar ou agitação sem causa aparente.
Estratégias práticas
- Escovar os dentes duas vezes por dia, com escova macia, em ambiente calmo.
- Retirar a prótese à noite, limpá-la e guardá-la em água; verificar se assenta bem.
- Inspecionar gengivas e língua à procura de feridas, vermelhidão ou aftas.
- Usar linguagem simples e gestos, demonstrando primeiro em si própria.
- Escolher o momento do dia em que ela está mais tranquila.
O que NÃO fazer
- Não forçar com a boca fechada nem insistir num momento de agitação.
- Não deixar a prótese a apertar ou a magoar sem a verificar.
Quando procurar ajuda profissional
Se houver feridas, dor, mau hálito persistente ou recusa em comer, marque consulta de medicina dentária. O médico assistente pode orientar e indicar apoios disponíveis. Cuidar da boca melhora a alimentação e o conforto.
"Percebi que ela não recusava a comida por teimosia — tinha uma ferida na gengiva da prótese. Tratada a boca, voltou a comer bem." — Cuidador anónimo