Porque repete sempre a mesma pergunta e como responder?
A minha sogra pergunta-me "que horas são?" ou "quando é que o meu filho vem?" vinte vezes por dia. Já respondi de todas as formas possíveis e começo a perder a paciência. Como devo lidar com isto?
Repetir a mesma pergunta vezes sem conta é um dos comportamentos mais desgastantes para quem cuida — e também um dos mais mal compreendidos. Não é teimosia nem falta de atenção da parte dela: é a doença a manifestar-se diretamente.
Porque é que isto acontece
Na demência, a memória recente é normalmente a primeira a ser afetada. A sua sogra pergunta as horas porque, segundos depois de ouvir a resposta, essa informação já não fica retida. Não se trata de não ter ouvido — trata-se de não conseguir armazenar a informação nova. Muitas vezes, por trás da pergunta repetida está também ansiedade: perguntar "quando vem o meu filho?" pode ser uma forma de procurar segurança, não apenas de obter uma hora.
Como responder sem desgaste
- Responda com calma, como se fosse a primeira vez — a irritação na sua voz é algo que ela vai sentir, mesmo sem perceber o motivo.
- Procure a emoção por trás da pergunta: se é ansiedade, tranquilize ("está tudo bem, estou aqui contigo") em vez de só repetir o facto.
- Use apoios visuais: um calendário grande, um relógio bem visível ou um quadro com a rotina do dia podem reduzir a necessidade de perguntar.
- Crie rotinas previsíveis. A previsibilidade do dia reduz a ansiedade que muitas vezes gera as perguntas repetidas.
- Experimente redirecionar para uma atividade simples logo após responder, para quebrar o ciclo da pergunta.
O que NÃO fazer
- Não diga "já te respondi" ou "porque é que perguntas sempre o mesmo?". Ela não se lembra de ter perguntado, e a frustração só aumenta a sua ansiedade.
- Não ignore a pergunta na esperança de que ela "desista". Isso tende a aumentar a insistência.
- Não tente "testar" a memória corrigindo-a repetidamente.
"Percebi que cada vez que o meu marido perguntava 'onde está a Maria?' (a nossa filha, que já não vive cá há vinte anos), não era a resposta que ele precisava — era saber que não estava sozinho." — Cuidador anónimo
Quando procurar ajuda profissional
Se a repetição vier acompanhada de grande agitação, agressividade ou perturbar muito o sono, fale com o médico assistente — pode valer a pena reavaliar a fase da doença ou rastrear outras causas de ansiedade, como dor não comunicada ou infeção urinária, que frequentemente pioram a confusão.