Porque é que a música acalma tanto quem tem demência?

Reparei que quando ponho as músicas antigas que o meu pai gostava, ele fica mais calmo e até canta alguns versos, apesar de já não conseguir manter uma conversa. Porque é que isto acontece?

Não é coincidência nem milagre: a música ativa zonas do cérebro — ligadas à emoção e à memória processual — que são das últimas a ser afetadas pela demência. É por isso que uma pessoa que já não reconhece os filhos consegue, por vezes, cantar uma canção inteira da juventude.

Porque funciona quando as palavras falham

A comunicação verbal depende de áreas do cérebro muito vulneráveis à doença, mas a resposta à música está distribuída por várias regiões, incluindo zonas emocionais profundas. Cerca de 93% da comunicação entre pessoas é não-verbal — tom de voz, ritmo, expressão — e a música encaixa exatamente nesse canal que continua acessível, mesmo em fases avançadas.

Como usar a música no dia a dia

Quando e como aplicar

A música é especialmente útil em três momentos: para acalmar uma fase de agitação, para criar uma ponte de comunicação quando as palavras já não bastam, e para tornar mais suaves tarefas difíceis como o banho ou as refeições. Experimente pôr a playlist favorita 10 minutos antes de uma tarefa que costuma gerar resistência — muitas vezes baixa a tensão antes mesmo de começar.

"A minha mãe já não fala frases inteiras há mais de um ano, mas quando ouve Amália canta a letra toda, do princípio ao fim. É o único momento em que sinto que ainda está ali, inteira."

O que NÃO fazer

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