Qual a esperança de vida após um diagnóstico de demência?
Desde o diagnóstico do meu pai que não consigo tirar uma pergunta da cabeça, embora tenha vergonha de a fazer: quanto tempo lhe resta? Preciso de saber para me preparar, mas tenho medo da resposta.
Não tenha vergonha desta pergunta. Querer saber não é frieza, é uma forma de se preparar e de aproveitar melhor o tempo. Mesmo assim, é importante saber que não existe um número certo.
Porque acontece
A esperança de vida após o diagnóstico varia muito de pessoa para pessoa. Depende do tipo de demência, da idade, do estado geral de saúde, de outras doenças e da fase em que foi diagnosticada. Por isso, qualquer número que ouça é apenas uma média que pode não se aplicar ao seu pai.
Estratégias práticas
- Fale com o neurologista ou médico assistente, que conhece o caso concreto, em vez de procurar números na internet.
- Use o tempo presente para tratar de diretivas antecipadas, assuntos legais e desejos da pessoa enquanto ela pode participar.
- Concentre-se na qualidade de vida e nos bons momentos, não apenas na contagem.
- Reúna registos de saúde para apoiar decisões futuras.
O que NÃO fazer
- Não trate prazos como certezas; muita gente vive mais tempo do que se prevê.
- Não deixe que a pergunta o impeça de viver o presente com o seu pai.
Quando procurar ajuda profissional
Se esta angústia o estiver a paralisar, procure apoio psicológico através do médico assistente, da Alzheimer Portugal ou da Linha SNS 24 (808 24 24 24). Em fases avançadas, os cuidados paliativos podem ajudar a garantir conforto.
"Andei meses obcecado com o tempo que restava. Quando deixei isso de lado, percebi que ainda tínhamos muita vida para partilhar." — Cuidador anónimo