Como proteger a pessoa de burlas e gastos perigosos?
A minha mãe começou a comprar coisas inúteis pela televisão e a dar dinheiro a quem lhe bate à porta. Encontrei recibos de valores que ela não se lembra de ter pago. Como a protejo sem lhe tirar toda a dignidade?
Descobrir que a pessoa de quem cuida está a ser explorada ou a perder dinheiro dá uma sensação de impotência enorme. Querer protegê-la sem a tratar como incapaz é um equilíbrio difícil e o seu cuidado nota-se.
Porque acontece
A demência afeta o julgamento, a memória e a capacidade de avaliar consequências. A pessoa pode não reconhecer uma burla, esquecer pagamentos ou repetir compras. Vendedores e burlões aproveitam-se precisamente desta fragilidade.
Estratégias práticas
- Reveja em conjunto contas e extratos com regularidade e ative alertas do banco por SMS para movimentos.
- Limite o acesso a grandes quantias: cartão com plafond baixo, pouco dinheiro em casa.
- Cancele subscrições, canais de teleshopping e bloqueie chamadas de números desconhecidos.
- Combine com vizinhos de confiança que a avisem se aparecerem "vendedores" à porta.
- Pondere, com apoio jurídico, o regime do maior acompanhado para proteger o património.
O que NÃO fazer
- Não a acuse de "gastar mal" nem a envergonhe pelos erros.
- Não retire de repente toda a autonomia financeira sem explicar.
Quando procurar ajuda profissional
Se houver sinais de burla ou abuso, pondere apoio jurídico e a figura do maior acompanhado. Em caso de crime, contacte as autoridades. A Segurança Social (300 502 502) pode orientar sobre apoios e proteção.
"Só percebi quando o banco ligou. Ela tinha assinado coisas que nem lia, confiava em toda a gente." — Cuidador anónimo