Os animais de companhia ajudam quem tem demência?
O meu pai vive com demência e passa muito tempo apático. Alguém me sugeriu que um gato ou um cão lhe poderia fazer bem. Será verdade? E se ele se esquecer de cuidar do animal ou não conseguir?
É uma pergunta muito humana e carinhosa. Ver o seu pai apático dói, e procurar algo que o reanime mostra o quanto se importa. Os animais podem, de facto, trazer muito conforto, mas convém pensar bem na situação de cada família.
Porque acontece
A presença de um animal reduz a solidão, baixa a ansiedade e oferece afeto sem exigir palavras. Acariciar um gato ou receber a alegria de um cão desperta emoções positivas e pode criar rotina e sentido de propósito.
Estratégias práticas
- Prefira um animal calmo, adulto e já habituado a pessoas, em vez de um filhote irrequieto.
- Assuma que o cuidado do animal fica a cargo do cuidador ou é partilhado, sem depender da memória da pessoa.
- Se ter um animal permanente não for viável, experimente visitas de animais ou peluches terapêuticos realistas, que confortam muito em fases avançadas.
- Vigie as interações para proteger ambos de quedas ou reações bruscas.
O que NÃO fazer
- Não deixe a alimentação e a saúde do animal dependentes da pessoa com demência.
- Não force o contacto se o seu pai mostrar medo ou incómodo.
Quando procurar ajuda profissional
Se a apatia for intensa e persistente, fale com o médico assistente, pois pode indicar depressão. Alguns centros de dia e lares promovem sessões de terapia assistida por animais.
"O gato da vizinha vinha visitar o meu pai. Ele passava a tarde a fazer-lhe festas e falava com ele. Foi um bálsamo." — Cuidador anónimo