Gerir a alimentação quando há diabetes e demência
A minha mulher tem diabetes há anos e agora com a demência já não percebe porque não pode comer tantos doces, e às vezes recusa a insulina ou as refeições certas. Ando sempre em cima disto e cheio de medo das descidas de açúcar. Como equilibro as duas coisas?
Gerir diabetes e demência ao mesmo tempo é um peso enorme, e o medo das hipoglicemias mantém-nos em alerta constante. É possível encontrar equilíbrio sem transformar cada refeição numa batalha.
Porque acontece
A pessoa deixa de compreender as restrições e de reconhecer os sinais de descida de açúcar. Os horários das refeições, a medicação e a insulina exigem regularidade, mas a demência dificulta a colaboração. Objetivos demasiado apertados de glicemia podem, aliás, ser perigosos nesta fase.
Estratégias práticas
- Mantenha horários regulares de refeições e de medicação.
- Ofereça alternativas doces mais seguras: fruta, iogurte, sobremesas sem açúcar.
- Tenha sempre à mão o necessário para tratar uma hipoglicemia (açúcar, sumo).
- Simplifique, com o médico, o esquema de medicação sempre que possível.
- Escolha as suas batalhas: evitar hipoglicemias costuma ser prioritário face a um controlo muito rígido.
O que NÃO fazer
- Não imponha uma dieta demasiado restritiva que gere recusa e conflito.
- Não altere insulina ou medicação por sua conta.
- Não ignore sinais de confusão súbita, suores ou tremores.
Quando procurar ajuda profissional
Fale com o médico assistente ou o médico assistente para rever objetivos e ajustar a medicação à realidade da demência. Perante confusão súbita, suores ou perda de consciência, ligue de imediato 112 ou a Linha SNS 24 (808 24 24 24).
"O médico afrouxou as metas do açúcar e simplificou os comprimidos. Deixei de andar em guerra por causa de cada doce e ela anda mais segura." — Cuidador anónimo