Como reagir quando a pessoa com demência fica agressiva?
O meu pai, que sempre foi uma pessoa calma, às vezes grita comigo e uma vez chegou a empurrar-me quando eu tentava ajudá-lo a vestir-se. Sinto-me perdida — não sei se fiz algo errado.
A agressividade verbal ou física é um dos comportamentos mais difíceis de viver, mas raramente é dirigida a si pessoalmente. É, quase sempre, a forma que a pessoa encontra para expressar medo, dor, frustração ou confusão que já não consegue pôr em palavras. Não fez nada de errado, e não está sozinha — é um sintoma comum em várias fases da demência.
Porque acontece
Quando a pessoa já não consegue explicar o que sente, o corpo "fala" por ela. Pode estar com dor, com fome, com a bexiga cheia, ansiosa por não reconhecer o sítio onde está, ou simplesmente a sentir-se invadida — por exemplo, durante o banho ou ao vestir-se, situações em que alguém mexe no seu corpo sem aviso. A agressividade é quase sempre uma reação a uma necessidade não satisfeita ou a uma sensação de ameaça.
No momento da agitação
- Garanta primeiro a sua segurança e a da pessoa — afaste-se fisicamente se necessário, sem virar costas de forma brusca.
- Não discuta nem levante a voz. Fale baixo e devagar, com frases curtas.
- Aborde sempre de frente, nunca por trás, e entre primeiro no campo de visão da pessoa antes de tocar ou falar.
- Dê espaço. Recue um pouco e baixe o tom — muitas vezes a reação diminui só por sentir menos pressão.
- Identifique o gatilho. Pergunte-se: tem dor? Está cansado? Foi alguma tarefa específica (banho, vestir) que desencadeou isto?
"Percebi que o meu pai só ficava agressivo durante o banho. Comecei a explicar cada passo antes de o fazer — 'agora vou lavar-te o braço' — e a agressividade quase desapareceu."
O que NÃO fazer
- Não confronte nem tente "impor respeito" — isso geralmente agrava a situação.
- Não segure a pessoa com força, exceto se for estritamente necessário para evitar lesão imediata.
- Não leve para o lado pessoal nem guarde rancor — a pessoa não está a agir com intenção consciente de magoar.
Quando procurar ajuda profissional
Se os episódios forem frequentes, intensos ou colocarem em risco a sua segurança ou a da pessoa cuidada, fale com o médico assistente. É importante despistar causas médicas (dor não identificada, infeções, efeitos de medicação) antes de pensar em qualquer ajuste farmacológico, que deve ser sempre prescrito e acompanhado por um profissional de saúde. Se em algum momento se sentir em perigo físico, não hesite em pedir ajuda imediata — a sua segurança importa tanto quanto a da pessoa que cuida.