Como reagir quando a pessoa com demência fica agressiva?

O meu pai, que sempre foi uma pessoa calma, às vezes grita comigo e uma vez chegou a empurrar-me quando eu tentava ajudá-lo a vestir-se. Sinto-me perdida — não sei se fiz algo errado.

A agressividade verbal ou física é um dos comportamentos mais difíceis de viver, mas raramente é dirigida a si pessoalmente. É, quase sempre, a forma que a pessoa encontra para expressar medo, dor, frustração ou confusão que já não consegue pôr em palavras. Não fez nada de errado, e não está sozinha — é um sintoma comum em várias fases da demência.

Porque acontece

Quando a pessoa já não consegue explicar o que sente, o corpo "fala" por ela. Pode estar com dor, com fome, com a bexiga cheia, ansiosa por não reconhecer o sítio onde está, ou simplesmente a sentir-se invadida — por exemplo, durante o banho ou ao vestir-se, situações em que alguém mexe no seu corpo sem aviso. A agressividade é quase sempre uma reação a uma necessidade não satisfeita ou a uma sensação de ameaça.

No momento da agitação

"Percebi que o meu pai só ficava agressivo durante o banho. Comecei a explicar cada passo antes de o fazer — 'agora vou lavar-te o braço' — e a agressividade quase desapareceu."

O que NÃO fazer

Quando procurar ajuda profissional

Se os episódios forem frequentes, intensos ou colocarem em risco a sua segurança ou a da pessoa cuidada, fale com o médico assistente. É importante despistar causas médicas (dor não identificada, infeções, efeitos de medicação) antes de pensar em qualquer ajuste farmacológico, que deve ser sempre prescrito e acompanhado por um profissional de saúde. Se em algum momento se sentir em perigo físico, não hesite em pedir ajuda imediata — a sua segurança importa tanto quanto a da pessoa que cuida.

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