Tensão alta e demência: porque tratar a hipertensão protege o cérebro

Tenho a tensão alta e nem sempre tomo os comprimidos como devia. O meu médico diz que é importante — mas o que tem a tensão a ver com a memória?

O seu médico tem razão, e a ligação é mais direta do que parece. O cérebro é irrigado por uma rede finíssima de vasos sanguíneos — e a tensão alta, ano após ano, danifica essa rede de forma silenciosa. Parte das demências (a vascular, e em parte também a de Alzheimer) tem raízes precisamente nesse dano acumulado.

O que diz a OMS

A gestão da hipertensão deve ser oferecida a todos os adultos com tensão alta, de acordo com as orientações gerais da OMS — isso não está em causa, pelos benefícios cardiovasculares amplamente estabelecidos. Especificamente para reduzir o risco de declínio cognitivo e demência, as guidelines acrescentam que a gestão da hipertensão pode ser oferecida com esse objetivo também (recomendação condicional; a certeza da evidência específica para a demência ainda é baixa, mas o racional vascular é sólido e o tratamento já se justifica por todas as outras razões).

"Nem sempre tomo os comprimidos"

É mais comum do que pensa — a hipertensão não dói, e o que não dói esquece-se. Mas é precisamente por não doer que é traiçoeira: o dano acontece na mesma. Se a razão for esquecimento, uma caixa semanal de comprimidos ou um alarme no telemóvel resolvem muito. Se forem efeitos secundários ou o preço, não pare por conta própria — diga ao médico, que há quase sempre alternativas.

Além dos comprimidos

Menos sal, menos álcool, mais movimento e um peso saudável ajudam a baixar a tensão — às vezes o suficiente para reduzir a medicação (decisão sempre do médico). Medir a tensão em casa, a horas certas, e levar os registos à consulta dá ao médico dados reais para ajustar o tratamento. Pense nisto como cuidar da canalização do cérebro: manutenção discreta agora, para evitar estragos graves mais tarde.

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