Jardinagem e contacto com a natureza como terapia
A minha mãe sempre gostou de jardim e de flores, mas agora já se esquece de muita coisa. Será que ainda faz sentido levá-la a mexer nas plantas? Tenho receio de que se frustre ou se magoe.
Que bonito querer manter viva uma paixão da sua mãe. A jardinagem é uma das atividades mais gratificantes na demência, porque liga-se a memórias antigas e ao prazer de cuidar, mesmo quando outras capacidades se perdem.
Porque acontece
O contacto com a natureza estimula os sentidos, reduz a agitação e melhora o humor. Regar, sentir a terra ou cheirar ervas aromáticas evoca memórias profundas e dá à pessoa uma sensação de utilidade e calma que raramente exige palavras.
Estratégias práticas
- Escolha tarefas simples e seguras: regar, apanhar folhas, plantar num vaso, cheirar hortelã ou alecrim.
- Use vasos à altura da cintura ou mesas de cultivo para evitar dobrar-se e cair.
- Prefira plantas não tóxicas e ferramentas de plástico ou pontas rombas.
- Valorize o momento, não o resultado; elogie e acompanhe sem corrigir.
- Adapte a duração à energia dela e faça-o nas horas mais frescas.
O que NÃO fazer
- Não a deixe sozinha com plantas tóxicas, sacos de terra ou ferramentas cortantes.
- Não insista se estiver cansada ou irritada nesse dia.
Quando procurar ajuda profissional
Se notar apatia persistente ou perda de interesse por tudo, fale com o médico assistente, pois pode haver depressão associada. Alguns centros de dia oferecem hortas terapêuticas.
"Punha a minha mãe a regar os vasos da varanda todas as manhãs. Ela sorria de uma maneira que já não via há meses." — Cuidador anónimo