Exercício físico e prevenção da demência: a recomendação mais forte da OMS
Tenho 58 anos e a minha mãe teve Alzheimer. Sei que devia mexer-me mais — mas o exercício físico faz mesmo diferença para o risco de demência, ou é só mais um conselho genérico?
Faz mesmo diferença — e não é por acaso que começa por aqui. Nas guidelines da Organização Mundial da Saúde sobre redução do risco de demência (2.ª edição), a atividade física para adultos com cognição normal é a recomendação com a classificação mais forte de todo o documento. Para quem tem histórico familiar e quer fazer alguma coisa concreta, este é o melhor primeiro passo.
O que diz exatamente a OMS
Para adultos sem queixas de memória, a atividade física deve ser recomendada para reduzir o risco de declínio cognitivo — uma recomendação forte, com certeza moderada da evidência. Para quem já tem um défice cognitivo ligeiro diagnosticado, a recomendação mantém-se, embora com evidência mais limitada. Em ambos os casos, o sentido é o mesmo: o que faz bem ao coração e aos vasos sanguíneos faz bem ao cérebro.
Quanto e o quê
As orientações gerais da OMS para a atividade física valem aqui: movimento aeróbico regular (caminhar a bom ritmo, nadar, pedalar), exercícios de fortalecimento muscular, e menos tempo sentado ao longo do dia. Não é preciso ginásio nem maratonas — caminhadas diárias consistentes já contam. O melhor exercício é aquele que consegue manter durante anos.
Nunca é tarde para começar
A evidência sugere que o risco de demência se acumula ao longo da vida — o que significa que cada fase conta, incluindo a que está a viver agora. Começar aos 58 não é "tarde": é precisamente na meia-idade que vários fatores de risco pesam mais. Se tem doenças crónicas ou dúvidas sobre o que é seguro para si, fale com o seu médico antes de aumentar a intensidade.
Um passo de cada vez
Se hoje não faz nada, comece por 20 a 30 minutos de caminhada na maior parte dos dias. Quando isso for hábito, acrescente. E lembre-se: o exercício protege mais quando acompanhado de outros hábitos — veja também a abordagem combinada, que a OMS destaca como especialmente promissora.