Diabetes e demência: o que o açúcar no sangue tem a ver com a memória

Sou diabético tipo 2 há dez anos. O controlo nem sempre é perfeito. A diabetes aumenta mesmo o risco de demência — e controlá-la melhor protege?

A associação existe: a diabetes tipo 2 está ligada a um risco aumentado de declínio cognitivo e demência. Mas a mensagem certa não é de medo — é de motivação: o que já faz (ou devia fazer) pela diabetes é também o que protege o cérebro.

O que diz a OMS

A gestão da diabetes deve ser oferecida a todos os adultos com diabetes, conforme as orientações gerais — isso é indiscutível. Especificamente para reduzir o risco de declínio cognitivo e demência, as guidelines acrescentam que a gestão da diabetes pode ser oferecida com esse fim (recomendação condicional; a certeza da evidência específica ainda é muito baixa — ou seja, ainda não está provado que o controlo glicémico reduza a demência, mas o racional é plausível e o controlo já se justifica plenamente por tudo o resto).

Como a diabetes afeta o cérebro

O açúcar cronicamente elevado danifica os vasos sanguíneos, incluindo os finíssimos que irrigam o cérebro. A diabetes também aumenta o risco de AVC — e cada dano vascular cerebral é um tijolo a menos na reserva do cérebro. Controlar a glicemia, a tensão e o colesterol em conjunto é proteger essa canalização.

"O controlo nem sempre é perfeito"

Dez anos de doença crónica cansam — as quebras de disciplina são humanas, não são falhas de carácter. Em vez de perseguir a perfeição, procure a consistência possível: medicação a horas (alarme, caixa semanal), consultas regulares sem faltas, e as análises de controlo em dia. Se o esquema atual é difícil de cumprir, diga-o ao médico — simplificar o tratamento é muitas vezes possível e melhora mais o controlo do que a força de vontade.

O reforço que vem de fora dos comprimidos

Movimento regular e alimentação equilibrada são tratamento a sério na diabetes tipo 2 — às vezes tão eficazes como um medicamento adicional. E são exatamente as mesmas medidas que a OMS recomenda para o cérebro. Na prevenção, tudo se soma.

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