Quando entram os cuidados paliativos na demência?
O meu marido está numa fase muito avançada da demência, já quase não come e passa a maior parte do tempo acamado. Alguém me falou em cuidados paliativos, mas isso assusta-me. Quando é que fazem sentido e não estarei a desistir dele?
Pensar em cuidados paliativos não é desistir do seu marido, é escolher priorizar o conforto e o bem-estar dele. É uma decisão de amor, não de abandono.
Porque acontece
A demência é uma doença progressiva e, na fase avançada, o objetivo dos cuidados muda: em vez de tentar reverter o irreversível, procura-se aliviar o sofrimento, controlar a dor e garantir dignidade. Os cuidados paliativos podem começar bem antes dos últimos dias, sempre que o conforto passa a ser a prioridade.
Estratégias práticas
- Fale com o médico assistente ou com a equipa que acompanha o seu marido sobre referenciação para cuidados paliativos.
- Existem equipas de cuidados paliativos domiciliários e no âmbito da RNCCI (Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados).
- Foque-se em pequenos gestos de conforto: hidratação da boca, posicionamento, ambiente calmo e presença.
- Peça apoio para gerir sintomas como dor ou agitação, que nem sempre são fáceis de identificar.
O que NÃO fazer
- Não interprete paliativos como "deixar de tratar" — continua a haver cuidado ativo, orientado para o conforto.
- Não carregue estas decisões sozinha nem se culpe por escolher menos intervenções agressivas.
Quando procurar ajuda profissional
Se nota dor, dificuldade em respirar, recusa alimentar persistente ou sofrimento, contacte a equipa de saúde. A Linha SNS 24 (808 24 24 24) pode orientar em situações urgentes e o médico pode ativar a RNCCI.
"Quando aceitei os paliativos, deixei de lutar contra a doença e comecei a cuidar dele de verdade, com calma." — Cuidador anónimo