Prender ou travar à força: porque nunca é solução
Há noites em que temo que o meu pai se levante e caia, e já pensei em travá-lo à cama ou trancá-lo no quarto. Sei que soa mal — que alternativas tenho?
Que este pensamento lhe tenha passado pela cabeça não faz de si má pessoa — faz de si um cuidador exausto e assustado. Mas é importante que saiba porque é que a contenção quase sempre piora tudo.
O que se sabe
Prender uma pessoa com demência (grades, cintos, portas trancadas por dentro, sedação "para dormir") aumenta o risco de lesões graves — as pessoas tentam trepar grades e caem de mais alto, ferem-se a lutar contra amarras, entram em pânico. Além do risco físico, a experiência subjetiva é de aprisionamento e terror, e acelera o declínio. Por isso as boas práticas internacionais são claras: contenção só em situações extremas, por decisão clínica, nunca como rotina doméstica.
Alternativas que funcionam
- Cama baixa (ou colchão no chão ao lado), tapete acolchoado — se cair, cai de baixo.
- Sensor de movimento ou de pressão na cama que o avisa quando ele se levanta (baratos e eficazes).
- Luz de presença automática até à casa de banho — muitos levantes noturnos são para urinar.
- Reveja as causas do levantar: dor? bexiga? fome? demasiada sesta de dia? sedativos a fazer efeito contrário?
- Porta da RUA segura (fechadura alta, alarme) em vez de trancar a porta do quarto — protege sem aprisionar.
- Se a exaustão é o motor, o problema a resolver é o seu descanso: apoio noturno, revezamento familiar, respostas de descanso do cuidador.
Fale com o médico
Levantes noturnos repetidos merecem avaliação (sono, dor, próstata/bexiga, medicação). Há soluções — prender não é uma delas.
Fontes: Alzheimer's Society (Reino Unido); Alzheimer Europe.