Colesterol na meia-idade e risco de demência
Tenho o colesterol alto e o médico quer que tome estatina. Tenho 55 anos e sinto-me bem — vale mesmo a pena, e tem alguma coisa a ver com a demência?
Tem a ver, e a idade da pergunta é relevante: as guidelines da OMS destacam especificamente a meia-idade como o momento em que gerir o colesterol conta para o risco de demência décadas depois.
O que diz a OMS
A gestão da dislipidemia (colesterol e gorduras no sangue alterados) deve ser oferecida em geral, conforme as orientações estabelecidas. Especificamente para reduzir o risco de declínio cognitivo e demência, as guidelines dizem que a gestão da dislipidemia na meia-idade pode ser oferecida (recomendação condicional, certeza baixa). O racional é o mesmo de toda a família vascular: o colesterol alto contribui para o estreitamento e endurecimento das artérias — incluindo as que alimentam o cérebro.
"Sinto-me bem" — o problema clássico
O colesterol alto não dá sintomas. Nem a tensão alta, nem o açúcar elevado nas fases iniciais. É o trio silencioso: quando "se sente", já foi na forma de enfarte, AVC — ou, décadas depois, no contributo para a demência vascular. Tratar sem sintomas é precisamente a ideia da prevenção.
Sobre a estatina
A decisão de medicar pondera o seu risco cardiovascular global — não apenas o número do colesterol — e é uma conversa a ter com o seu médico, incluindo dúvidas sobre efeitos secundários (a maioria das pessoas tolera bem; se houver queixas, há alternativas e ajustes). O que não é boa ideia é adiar indefinidamente uma decisão que o seu médico considera importante, com base apenas no "sinto-me bem".
O que pode fazer além (ou aquém) dos comprimidos
Alimentação com menos gorduras saturadas e processados, mais peixe e azeite, exercício regular e não fumar — tudo mexe no colesterol e, mais importante, no risco global. Se preferir tentar primeiro alguns meses de mudanças de estilo de vida antes da medicação, proponha-o abertamente ao médico com nova análise marcada: é uma estratégia legítima quando o risco o permite — mas quem avalia isso é ele.