Cirurgia e anestesia: riscos e preparação
O meu pai com demência vai precisar de uma operação. A anestesia pode piorar a demência? Como preparamos tudo?
É uma preocupação legítima e frequente. A resposta honesta: o problema principal não é a anestesia "apagar memória" — é o delirium pós-operatório, uma confusão aguda que pessoas com demência têm mais risco de desenvolver.
O que se sabe
O delirium (confusão intensa, flutuante, com sonolência ou agitação) é comum após cirurgias em pessoas com demência. Na maioria resolve em dias, mas pode acelerar declínio — por isso a decisão de operar deve pesar benefício vs. risco, em conversa franca com a equipa.
Antes da cirurgia
- Diga a todos que ele tem demência — cirurgião, anestesista, enfermagem. Pergunte se há alternativas menos invasivas e discuta o tipo de anestesia (por vezes há opções).
- Leve a lista de medicação completa e pergunte o que suspender.
- Otimize o estado dele antes: hidratação, sono, óculos e próteses auditivas identificados para irem com ele.
- Peça, se possível, que um familiar esteja presente ao acordar — a cara conhecida é o melhor antídoto da confusão.
Depois
- Presença familiar máxima nos primeiros dias; óculos/aparelho auditivo postos; luz natural de dia, calma à noite.
- Vigie sinais de delirium e dor não tratada (grande gatilho — ele pode não a verbalizar).
- Em casa, rotina reforçada e paciência: a recuperação cognitiva é mais lenta do que a da ferida.
Fontes: Alzheimer's Society (Reino Unido); NIA — National Institute on Aging (EUA).