Como ajudar a pessoa a comunicar ao telefone ou à distância?
A minha irmã vive longe e gostava de falar com a nossa mãe ao telefone, mas a mãe fica confusa, não percebe quem está a falar e às vezes desliga. Como é que posso ajudar a que estas chamadas corram melhor para as duas?
É comovente o desejo de manter esta ligação, e frustrante quando o telefone, que devia aproximar, se torna fonte de confusão. Há muito que pode fazer para suavizar estes momentos.
Porque acontece
Ao telefone falta a linguagem corporal e o rosto, que são âncoras importantes para quem tem demência. Sem ver a pessoa, fica mais difícil reconhecer a voz, seguir o fio da conversa ou compreender silêncios.
Estratégias práticas
- Prefira videochamada, se possível, para que o rosto ajude no reconhecimento.
- Quem liga deve identificar-se logo: "Olá mãe, sou a Ana, a tua filha."
- Frases curtas, ritmo calmo e uma só ideia de cada vez.
- Esteja por perto para apoiar e reformular se for preciso.
- Escolha horas em que a pessoa esteja mais descansada, evitando o final do dia.
O que NÃO fazer
- Não insista "sabes quem eu sou?" — gera ansiedade e sensação de falha.
- Não prolongue a chamada se a pessoa estiver cansada ou agitada.
Quando procurar ajuda profissional
Se a comunicação estiver muito comprometida, um terapeuta da fala pode dar estratégias adaptadas. A associação Alzheimer Portugal oferece apoio e grupos onde partilhar estas dificuldades com outros cuidadores.
"Quando a minha irmã começou a dizer logo o nome ao atender, vi a mãe sorrir. Fez toda a diferença." — Cuidador anónimo