Vive ansiosa e cheia de medos. Como posso acalmá-la?

A minha mãe anda sempre em cima de mim, pergunta mil vezes se está tudo bem, tem medo de ficar sozinha e de coisas que nunca a assustaram. O que se passa?

Imagine acordar num lugar que não reconhece bem, sem saber que dia é, com memórias que aparecem e desaparecem. A ansiedade de quem tem demência é uma resposta compreensível a um mundo que deixou de ser previsível. A pessoa não «está a exagerar» — está a tentar sentir-se segura.

Devolver previsibilidade

A rotina é o melhor ansiolítico natural: horários estáveis, os mesmos gestos pela mesma ordem, avisos simples antes de cada mudança («agora vamos almoçar»). Reduza decisões — em vez de «o que queres vestir?», ofereça duas opções. Um ambiente calmo (menos ruído, menos gente ao mesmo tempo) faz diferença imediata.

Responder ao medo, não ao argumento

Quando ela perguntar pela décima vez se está tudo bem, responda ao sentimento: «Está tudo bem, eu estou aqui consigo.» Tocar na mão, sorrir e manter a voz calma diz mais do que qualquer explicação lógica. Evite desmontar os medos com racionalidade — raramente funciona e pode humilhar.

Se a ansiedade for intensa, constante ou vier com agitação nova, fale com o médico assistente: é preciso excluir dor, depressão, efeitos de medicação ou outra causa tratável. Nunca dê calmantes por iniciativa própria.

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